Gentileza gera gentileza: O que torna uma pessoa gentil

O que torna uma pessoa gentil



Gentileza implica o outro. Isso não se pode perder de vista. Para pensarmos em um mundo mais gentil, a monja Coen, uma das representantes do budismo no Brasil, sugere recuperarmos a percepção de que não estamos sozinhos. Se é agradável ser bem tratado, ouvir um sonoro “seja bem-vindo”, o que muitas vezes esperamos que o outro faça, precisamos também começar a olhar para dentro de nós. “Como faço? Como falo? Estou atrapalhando alguém?”.

Ser gentil envolve amadurecimento, valores e bom senso. O trânsito, um dos principais problemas da vida moderna e palco de tanta intolerância, é um bom espaço para pensar e pôr em prática atos de gentileza. “Dar passagem para um carro é um ato de gentileza, mas não dá para fazer o mesmo com 10 carros, porque dessa forma se interrompe e prejudica todo mundo que vem atrás de você.” O contrário disso é uma atitude egocêntrica, como a do motorista que para em fila dupla e nem olha para trás.

E essa sensação de que o mundo está mais violento, intolerante, carente de gentilezas? Citando o Dalai Lama, para quem o ser humano é em si um ser bom, para Coen a gentileza tem algo de essência e da cultura, inclusive da cultura da violência. “Não temos a presa do tigre, e sim dentes de coelhinhos. Não era para sermos predadores como estamos nos tornando. Tem aí algo de cultural, que foi necessário para a nossa sobrevivência. Mas a natureza humana carrega a violência, uma violência trabalhada racionalmente. Daí a beleza da razão humana: podemos usá-la para transformar a fera em um bicho manso, mais gentil.”

Para Coen, então, a violência está apenas mais aparente. “Não criamos a violência. Essa geração não é pior que a outra. Se olharmos a história do ser humano veremos que nela são contadas as guerras e conflitos e não as soluções pacíficas.” Pelo contrário. Coen acredita que estamos é ficando mais sutis, assim como os equipamentos sem os quais não mais vivemos. “Os teclados estão mais sensíveis ao toque. Em vez de dizer que estamos nos embrutecendo, diríamos que estamos ficando mais delicados”.

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